A Médica-Mãe que há em mim

A convite do Laboratório Teuto, escrevi um pouco da minha vida como uma mãe-médica em comemoração ao Dia das Mães de 2012. Divido aqui com vocês, cada palavra abaixo escrita com muita emoção. Feliz DIA DAS MÃES a todas nós que colocamos mais ternura e amor no mundo. 

 “Quais as maiores alegrias e dificuldades de ser uma médica-mãe?” 


Ahhhhhh!!! Quantas alegrias seguidas aqui de infinitos pontos de exclamação!!!!
Alegria de gerar, sentir o ventre fecundo, de vislumbrar uma nova vida, de possuir um tesouro único. Alegria de ver o sorriso mais lindo todos os dias e encarar desafios e suas grandes recompensas. Alegria de ser mais altruísta, de quebrar a rotina com brincadeiras inocentes, de ver a descoberta do mundo através dos olhos do seu filho. Ter a alegria maior de AMAR além dos limites, de crescer e se iluminar por dentro. Isso tudo e muito mais é a alegria de ser mãe, a palavra que significa:     

                         M ulher que
                         A  ma
                         E  ternamente!

A medicina veio primeiro. Chamado divino para essa linda missão. Busquei a profissão, mas ela também veio ao meu encontro. Uma quis a outra. Como me realizo a cada dia de trabalho, a cada diagnóstico e a cada sorriso de agradecimento e até abraços carinhosos de minhas pacientes. Isso vale tanto pra mim. Dediquei-me a ter a melhor formação que pude. Esforcei-me, abri mão de férias, família e viagens por plantões, estudos e mais estudos. Não me arrependo. A minha missão não começaria somente depois de formada, mas desde o momento em que Deus me chamou a ser médica. Encarei tudo com muita garra.

Lidar com o ser humano, suas fraquezas, suas aflições, dúvidas e problemas e poder ajudá-los é muito gratificante e recompensa-me de qualquer coisa boa que eu tenha aberto mão para aprender a ser uma boa médica. Abri mão até de ser mãe aos vinte, trinta e poucos anos...

A maternidade veio depois! Veio para me completar, me fazer uma pessoa melhor, me encher de felicidade e alegrias que nunca conseguirei explicá-las.

Em 10 de maio de 2010, trabalhei normalmente de manhã e como estava com um atraso menstrual de 3 dias, dei uma passadinha no laboratório na hora do almoço e colhi um betaHCG. A ansiedade me consumia e no período da tarde, no consultório, a cada paciente que eu atendia, corria e checava no site do laboratório se o exame já estava pronto. Atualizei a página umas mil vezes. A medicina e a vontade de ser mãe já estavam juntas desde o teste de gravidez. Até que pouco depois das 16h atualizei a página e TCHUMMMMM!!!! Estava lá o número 523 mUI/ml que mudou a minha vida. Sozinha, com outras pacientes me esperando pra atender, chorei, chorei de tanta alegria e liguei na mesma hora pra minha mãe, pois para o marido eu queria fazer surpresa. E acreditem que a relação de mãe/filha é tão intensa, que pela minha voz ela já falou que eu estava grávida antes de eu contar. Choramos juntas, rimos juntas e ao desligar o telefone a minha vontade era de sair dali correndo gritando pro mundo inteiro que eu era a mulher mais abençoada de todas! Recuperei-me, reassumi o lado médica, terminei o meu dia de trabalho com o coração pulsando em todos os meus poros e depois disso, mais e mais alegrias vieram.

Com uma vidinha crescendo dentro de mim, aprendi que daquele momento em diante eu tinha que pensar primeiro no meu filho antes de qualquer coisa ou decisão na minha carreira. E isso se mantém até hoje e eu sei que vai durar por toda a vida. O cordão umbilical virtual vai continuar pra sempre entre mim e ele. Portanto, não dá mais pra ficar atendendo até tarde, fazer tantos encaixes, pegar todos os plantões e até fazer aquele congresso que eu adoro, ler todos os artigos e livros que eu desejo. Filhos tem algumas necessidades que somente as mães podem resolver. Nem avós, nem babás e nem mesmo o pai.

Fiquei dois meses e meio em casa de licença à maternidade e voltei ao consultório somente meio período e com um intervalo pra amamentar, pois meu filho ficava comigo na clínica com a babá. Só quando ele estava com seis meses voltei a atender no período integral, sempre com o coração apertado de não ficar com ele. Lembro bem como eu me sentia: uma certa “culpinha” de trabalhar e deixá-lo e outra “culpinha” de não estar trabalhando e estudando a todo vapor como eu sempre fazia. Fácil de explicar, mas difícil de entender. Mais uma vez a medicina e a maternidade juntas dividindo o meu coração que mesmo assim transborda de amor e alegrias. É bom sentir tudo isso!!! Não é ruim. Isso dá um “up” na gente, é razão pra viver, é viver com emoção, com intensidade, passando pela vida e não somente deixando a vida passar por mim. Sinto-me viva, plena, forte, com coragem, com garra pra seguir em frente e ver tudo o que está ali, bem na minha frente, num lugar chamado futuro que eu amarei da mesma forma que eu amo o meu presente. E que presente Deus me dá todos os dias!!! (Aqui também cabem muitos pontos de exclamação!!!) O presente de ser mãe e médica, apaixonada pela vida e por tudo o que ela me traz.

Sou Laura Lúcia Martins, ginecologista e obstetra, 39 anos, formada em 1997 e mãe do Theo de 1 ano e quatro meses de pura lindeza!
Um abraço ao Laboratório Teuto por fazer a diferença trazendo conteúdos interessantes a nós médicos e a todas as médicas-mães que, assim como eu, se dividem entre duas missões divinas. Parabéns a todas as Mulheres que Amam Eternamente pelo seu dia.