Entenda um pouco sobre corrimento vaginal

E a Campanha #saiacomsaia continua.

Por isso, esse mês vou falar sobre o sintoma mais comum nas consultas ginecológicas: o corrimento vaginal, que muitas vezes poderia ser evitado apenas por adotar o hábito de usar menos calças e incorporar mais o uso das saias no seu cotidiano.

Pra falar desse problema, precisamos primeiro entender um pouco sobre a fisiologia (o funcionamento normal) da vagina.
A vagina é um órgão interno com cerca de 7 cm de comprimento e que fica entre a vulva e o útero. Na vulva existem milhares de micróbios e dentro do útero não pode haver nenhum. Portanto a vagina ficou com uma tarefa difícil, de não deixar nenhum microorganismo entrar no útero. Para isso, ela tem um mecanismo de defesa importante, que é a microbiota vaginal. 

Essa microbiota é composta em mais de 90% por de lactobacilos, que são bactérias que protegem a mulher contra a invasão de vários tipos de microorganismos que podem infectar a vagina. Ela se renova a uma velocidade rápida e está sempre pronta pra defender a mulher. Mas esses lactobacilos precisam de algumas condições favoráveis para sobreviverem dentro da vagina e consequentemente nos defender. A condição principal é não elevar a temperatura. Abafar demais, usar roupas grossas, apertadas como jeans, lycra e outros tecidos sintéticos, fazem a temperatura vaginal elevar demasiadamente, os lactobacilos morrerem e isso favorecer o crescimento dos outros micróbios, que estão normalmente na região esperando a condição ideal pra crescerem. É como uma balança; se os lactobacilos diminuem, os micróbios crescem. Outra causa comum, é o hábito que algumas mulheres tem de fazer duchas internas (dentro da vagina) e isso tira justamente a proteção que existe para defendê-la. Portanto agora dá pra entender porque uma mulher tem corrimento.

Existem vários tipos de corrimentos e também a associação deles, mas de uma forma didática, dividi em dois tipos: 

* CORRIMENTO NORMAL: é o corrimento causado pela microbiota de proteção, os lactobacilos. Esse tipo acompanha a mulher na maior parte da vida e do ciclo.  Tem o aspecto branco ou amarelado, parecendo uma pasta espessa e a quantidade é variável dependendo de cada mulher, do vestuário, do clima e da época do ciclo. Não escorre, não coça e não tem odor fétido. O odor é característico e sai com o banho.  Quando uma mulher encontra esse tipo de secreção na sua roupa íntima, deve ficar tranquila.

*CORRIMENTO ANORMAL: é totalmente diferente do anterior. Pode vir acompanhado de vários sintomas desconfortáveis como coceira de todas as intensidades ou odores desagradáveis, que mesmo ao tomar banho não amenizam, ardências ou queimações, dores no baixo ventre, cólicas, desconforto ao urinar, aumento da frequência urinária, dor ou desconforto às relações sexuais, alteração da lubrificação natural, tem coloração diferente (amarelo escuro, acinzentada, esverdeada, marrom, tipo sangramento) e o aspecto não é espesso e sim uma secreção fluida, que escorre, que molha ou umedece mais a mulher ou ainda pode se parecer com um "leite coalhado". Ou seja, o corrimento anormal causa desconforto e o natural não.

O tratamento se baseia em identificar o micróbio causador. Na consulta o ginecologista vai fazer todas as perguntas necessárias para ter o máximo de informações, inclusive sobre os corrimentos anteriores e mais recentes, hábitos higiênicos dessa mulher, uso de medicamentos que alteram a microbiota de proteção e outros hábitos de vida. E depois irá examinar para descobrir qual ou quais são os micróbios causadores daquele corrimento. Um corrimento pode ser causado por apenas um tipo de microorganismo ou por vários deles. Se tratar somente um, o corrimento não vai acabar. É por isso que, ao sentir qualquer um dos sintomas acima, ou notar qualquer diferença nos seus genitais, procure o seu ginecologista, para que você seja corretamente medicada.

Mas é preciso salientar que, se você se cura de um corrimento e apresenta outro, um tempo depois, provavelmente você deve ter mantido os mesmos hábitos errados que causou o corrimento anterior. Na conversa com o seu médico, você vai aprender o que está fazendo de errado e como corrigir a causa do seu problema. Do mesmo modo que você teve o primeiro corrimento, tratou-o, curou-se, poderá ter outro corrimento novamente, se não der as condições para que sua microbiota sobreviva.

Nada substitui uma boa consulta e um exame clínico detalhado. Invista em você e em sua saúde, use mais saias e vestidos e nunca se automedique.  Não faça experiências com seu organismo. Ele é único e merece todos os cuidados.

Mais sobre esse assunto no meu Vlog na sessão de Vídeos.