Entendendo melhor a infecção por HPV

O HPV (Papilomavírus Humano) é um vírus transmitido pelo contato sexual, que afeta a área genital tanto de homens como de mulheres. É uma DST (Doença Sexualmente Transmissível) extremamente comum representando importante problema de saúde pública devido à sua alta prevalência e transmissibilidade.  Não se transmite HPV pelo sangue ou por outras secreções corpóreas, mas sim pelo contato direto de pele com pele.
 
Até o momento, mais de 120 tipos de HPV foram descritos. Podem acometer indivíduos saudáveis ou com imunidade comprometida. Podem afetar áreas não genitais e esses, estão quase sempre associados à lesões verrucosas benígnas. Alguns infectam a genitália podendo inclusive aparecer em outras mucosas do organismo (oral, ocular e respiratória) e estão altamente relacionados com o desenvolvimento de câncer do colo uterino, vulva, vagina, ânus e pênis, se não tratados adequadamente. Alguns vírus tem a capacidade de entrar no DNA da célula normal do hospedeiro transformando-a em célula cancerígena.   Uma das características desse vírus é a capacidade de ficar instalado no corpo por muito tempo sem se manifestar, entrando em ação nas situações onde o organismo apresenta uma certa diminuição da imunidade (defesa), como na gravidez, stress, hábitos desregrados de vida e alimentação, sono, fumo e drogas.  O problema é que na maior parte das vezes o HPV não apresenta sintomas e daí passa a ser altamente transmissível aos parceiros sexuais numa relação desprotegida. Dependendo da área onde as lesões se encontram (escroto, púbis, região inguinal, perianal, etc) nem mesmo o preservativo protege da transmissão. Mas geralmente as lesões são mais comuns nas áreas de atrito sexual.
 
A mulher pode, às vezes, sentir leve coceira, ter dor ou ardência durante a relação sexual ou notar algum corrimento diferente. Mas o mais comum é não perceber qualquer sintoma.
 
A infecção pode ter 3 evoluções:
 
1) Permanecer na forma latente na qual o vírus fica dentro da célula do hospedeiro sem se ligar ao seu DNA e por isso não produz nenhuma alteração no tecido. Não se sabe por quanto tempo a infecção latente pode persistir. Alguns pesquisadores acreditam que até por toda a vida.
 
2) Produzir infecção clínica (verruga aparente) ou subclínica (lesão só vista pelo ginecologista em exames especiais). Nessa fase os vírus reproduzem-se rapidamente liberando grande número de partículas virais (vírions) que irão infectar as células vizinhas e outros indivíduos.
 
3) O organismo consegue eliminar o vírus. Algumas infecções pelo HPV são eliminadas naturalmente pelo sistema de defesa do organismo dentro de 9 meses a 2 anos e durante esse período pode ocorrer infecção clínica, subclínica ou latente.
 
 
A melhor arma contra o HPV é a prevenção e a precocidade do diagnóstico. Como em qualquer DST, é preciso tomar alguns cuidados como: higiene, ter parceiro fixo ou reduzir o número de parceiros, usar preservativos nas relações sexuais, visitar regularmente seu ginecologista ou urologista para exames mais detalhados. Seu médico realizará além do exame a olho nu da genitália, o Papanicolaou (que é o exame mais comum, que não detecta o vírus mas sim as alterações que ele causa nas células), a colposcopia ou peniscopia (exame feito com um aparelho com lente de aumento que melhora a visualização das lesões pelo médico) e a biópsia, onde se retira um pequeno fragmento do tecido para análise.
 
No tratamento deve-se destruir ou retirar as lesões clínicas ou subclínicas do HPV, associadas ou não às lesões pré-cancerígenas. Essas lesões contem vírions que infectam outras células ou pessoas que entrem em contato, aumentando ainda mais a transmissão. Porém estudos demonstram que a eliminação completa ocorre apenas após a resposta imunológica adequada do paciente.  A regressão espontânea das verrugas pode ocorrer em até 20% dos casos, porém o atraso no tratamento pode levar à disseminação local tornando as lesões mais extensas e potencialmente mais graves, além de aumentar a transmissibilidade.
 
Concluindo, o tipo de defesa alcançada pelo indivíduo contaminado e o tipo de vírus (mais resistente ou mais fraco) determinam a regressão ou a progressão da infecção bem como a extensão e severidade das lesões e o sucesso do tratamento. Enfatizo que não basta somente ter o HPV pra ter câncer de colo de útero, vulva, vagina, ânus ou pênis. É necessário que o organismo não tenha a defesa adequada contra essa infecção. Hábitos como fumar, beber, ter múltiplos parceiros e outras DSTs entre outros, comprometem a sua defesa, favorecendo o vírus. Lembre-se que a maioria das pessoas infectadas pelo HPV não desenvolve câncer.
 
Atualmente já contamos com vacinas contra esse vírus que chagam a prevenir 100% dos casos de câncer do colo de útero e já podem ser prescritas em mulheres a partir dos 9 anos de idade. Converse sobre a vacina com seu ginecologista! Mantenha-se informado, protegido e com seus exames em dia e aproveite o lado bom da vida.