Entrevista da Revista Diva com Dra Laura

Na ocasião de minha capa para a Revista Diva, em outubro de 2014, dei a seguinte entrevista.  

 

D!VA - Conte-nos um pouco de sua caminhada até aqui. Como decidiu abraçar a medicina? 

Laura Lúcia - Filha de professora, sempre fui boa aluna e estimulada a estudar. Na escola, as matérias que eu mais amava eram Biologia e Química e aos 16 anos fiz um teste vocacional onde a área da saúde se destacou totalmente. Isso, com certeza, foi o primeiro empurrão à minha profissão.  Me dediquei ao máximo, passei no vestibular aos 18 anos e logo nos primeiros meses de medicina eu já sabia que  tinha feito a escolha certa, pois eu vislumbrava um mundo de conhecimento infinito na minha frente! Abri mão de sair, me divertir, viajar, estar com minha família, comecei a trabalhar dando aulas de inglês à noite, plantões a partir do quarto ano pra ajudar no “nada fácil” orçamento e me formei em 1997.

Mineira, quinta filha, vim morar com meus pais e irmãos em Foz do Iguaçu aos 7 anos de idade, passei toda minha adolescência e voltei  no ano 2000, depois da formatura e pós-graduação pela Faculdade de Medicina de Itajubá, Minas Gerais e aqui abri meu consultório. 

 

 

D!VA - Por que escolheu trabalhar com as mulheres?

LL- Logo no primeiro ano de faculdade, fomos conhecer a Santa Casa de Itajubá e a maternidade me fez sentir uma energia diferente que não sei explicar. Achei aquele lugar incrível. Pude entrar e ver um parto normal junto com meu professor e a única sensação que eu tinha era a de ajudar aquela paciente. Quando o bebê nasceu eu chorei  junto com ela. Achei tudo lindo, o corte do cordão, a placenta saindo e a mãe recebendo o filho pela primeira vez nos braços! Emociono-me ao lembrar, pois vi Deus naquela cena. Eu tinha 18 anos e minha escolha foi feita ali, a qual eu chamo de amor à primeira vista.  Além do obstetra ter todo estudo e técnica para cuidar das grávidas, ele ainda pode viver por várias vezes a emoção da vida chegando, com toda energia divina que existe nesse momento realmente inexplicável!

Sou muito fã das mulheres e de tudo o que elas representam pro mundo. Elas são geralmente amigas, doces, mansas e trabalhar com elas me faz ensinar, mas também aprender com cada uma, com cada história. É, na verdade, uma grande troca. Vejo-me muito nelas e pra elas faço e ofereço o melhor. 

As minhas especialidades, ginecologia e obstetrícia, abrangem a medicina com um pouco de tudo e essa diversidade de casos clínicos me encanta. 

Trabalhamos com a parte clínica e suas descobertas, atuamos também na parte cirúrgica e suas surpresas, na sexologia e seus mistérios, na infertilidade e seus desafios, na gravidez e seus encantos, na medicina fetal e seus avanços, atendemos crianças, adolescentes, mulheres jovens e maduras até a senilidade. Estamos presentes em todas as etapas da vida da mulher que é um ser biopsicoespiritual indivisível e por isso devemos cuidá-la como um todo. Um trabalho recompensado quando vejo a saúde e o bem-estar de volta em cada “obrigada” que escuto. 

 

D!VA - É possível conciliar as tarefas da vida profissional e familiar de forma equilibrada?

LL - Possuímos três necessidades vitais: espiritualidade, família e trabalho. Assim como um triângulo, a espiritualidade, que é a força maior, é a ponta e a família e o trabalho são a base. Com isso aprendi a priorizar essas três grandes forças na minha vida. Não gasto mais minhas forças com qualquer coisa que tenha energia ruim e que não sirva para o meu crescimento pessoal, profissional ou espiritual. No momento confesso que o trabalho está ganhando das outras, mas é uma fase que tem me dado muitas alegrias compensadoras. 

 

D!VA - Como você se inspira pra realizar seus projetos?

LL - A minha inspiração vem de sentir que estou fazendo o que realmente mais gosto. Vem de sentir-me útil informando, de ajudar as pessoas a encontrar novamente a saúde e mantê-la e de participar do lindo momento de trazer vidas à luz. 
Eu invisto no ser humano e o retorno me realiza e continua a me inspirar. 
 

D!VA - Quais são seus projetos atuais?

LL - Estou com 3 projetos no momento: o site novo, o Videoblog Saúde da Mulher e a campanha de saúde  #saiacomsaia.

 

D!VA - Como é o seu projeto #saiacomsaia? 

LL - É uma campanha de saúde pra informar às mulheres, que usar calças demasiadamente faz mal pra saúde genital, causa corrimentos, coceira, irritação, mau cheiro, dores às relações entre outros sintomas. 

Falei com a D!VA que acreditou e apoiou. Com isso eu consegui unir a SAÚDE AO ESTILO, À FEMINILIDADE E À AT!TUDE!

Logo o site da campanha estará no ar. Conto mais na fanpage do facebook @saiacomsaia e no instagram @saiacomsaia 

 

D!VA - Fale-nos um pouco mais do seu  novo site e do desafio de gravar um videoblog.

LL - Meu site completou, agora em outubro de 2014, 3 anos no ar. Ele foi criado durante a minha gravidez, para ser uma ferramenta complementar ao meu trabalho. Lidar com a internet é um meio de me tornar mais presente e dar mais atenção às minhas pacientes fora do consultório. QUANDO COMPARTILHO OS MEUS CONHECIMENTOS, MOSTRO ÀS MULHERES A RESPONSABILIDADE QUE ELAS TAMBÉM TÊM COM A SUA SAÚDE, TANTO NA PREVENÇÃO QUANTO NO TRATAMENTO DE DOENÇAS. UMA PACIENTE MAIS BEM INFORMADA ADERE MELHOR AO TRATAMENTO E TAMBÉM PASSA A TER UMA ATITUDE MAIS QUESTIONADORA E EXIGENTE.  E por isso, agora está no ar um site inteirinho remodelado, mais moderno e mais fácil de interagir, com um novo desafio: fazer um VLOG em saúde feminina com toda a dificuldade que o projeto engloba, para uma leiga em vídeo como eu.  A intenção é trazer para o vídeo o mesmo trabalho que já faço, há um ano, no instagram @saudedamulher; dar dicas rápidas e simples, de fácil entendimento sobre os temas que mais aparecem no dia-a-dia do consultório ginecológico em vídeos curtos.
Meu  Instagram @saudedamulher virou a COLUNA SAÚDE DA MULHER dessa incomparável revista e agora vira o VLOG, de mesmo nome, no meu site ao qual me dedicarei com todo amor, pois quero continuar sempre promovendo e divulgando informações importantes e interessantes sobre a saúde feminina.


D!VA - Que mulher ou profissional da sua área, você toma como referência ou verdadeira inspiração no seu dia-a-dia?
LL - 
Tenho muitos modelos e referências em minha vida. Sem dúvida meus pais são os grandes responsáveis pelo que sou hoje, pois foram eles que me guiaram pelo caminho que hoje eu sigo feliz. Tenho muito orgulho de ser filha deles. Minha mãe, mulher forte e determinada e meu pai, homem inteligente, honesto, íntegro e humano. 

Na minha área profissional, sempre admirei muito a Dra Zilda Arns. Ela fez medicina numa época difícil para a mulher abraçar uma carreira profissional e depois conseguiu unir forças e partir do nada para mudar o destino de milhares de vidas fundando a Pastoral da Criança, exemplo copiado em várias partes do mundo. Ela mudou a história. Achei lindo o que José Serra disse quando ela morreu: “Mulheres como ela não morrem, são plantadas.” 

 

D!VA - Quais recomendações você daria às futuras doutoras, que estão ingressando agora no mercado, a conseguirem o sucesso que você tem alcançado em sua carreira?

LL - Encarar os obstáculos como estímulos, persistir sempre, abrir mão das coisas boas da vida para estudar, fazer além do que é
obrigatório na faculdade procurando estágios e acompanhando os plantões dos professores.

Olhar o ser humano com sensibilidade, colocando-se no lugar dele. Enxergá-lo como um todo, ser solícita, ter ouvidos. Explicar cada detalhe de sua doença e dar a atenção que gostaria de receber. Saber que a parte econômica é consequência de um trabalho bem feito com amor,
com estudo e aprimoramento sempre.

 

D!VA - Algumas considerações finais. 

LL - Não posso finalizar sem agradecer a cada paciente e a todas as seguidoras que curtem o meu trabalho e me estimulam a continuá-lo. Agradeço à Revista D!VA pelo espaço mensal que dá à minha coluna e por ter acreditado em todos os projetos que tive até hoje me dando a oportunidade dessa capa para divulgar os atuais. Agradeço à minha mãe por ser sempre a primeira a saber de todas as minhas invenções e me incentivar muito em todas, ao meu pai por cuidar de mim lá do céu, à minha família e aos meus maiores amores Alex e Theozinho, por aumentarem minha autoestima e me mostrarem o valor que tenho e não consigo ver sozinha. Eles são o sol que eu giro ao redor. Obrigada a todos. 

Obrigada Deus. Meu coração transborda.