A importância do ácido fólico e a GRAVIDEZ DE 12 MESES

A vida moderna trouxe muitos avanços em todas as áreas. Os aspectos positivos dessa modernidade são incontáveis, mas tudo tem seu ônus. A mulher ganha cada vez mais espaço no mercado de trabalho, mas tem tido mais problemas de saúde relacionados ao estress, vida desregrada e alimentação inadequada. Coisas que a correria do dia-a-dia nos trouxe.


Estudos feitos em várias partes do mundo, atribuíram à deficiência de ácido fólico, várias doenças do fechamento do tubo neural do feto. Essa estrutura dá origem ao Sistema Nervoso Central do bebê, incluindo o cérebro e a coluna (medula espinhal). No Brasil, atualmente, 1 em cada 1000 crianças nasce com algum problema no tubo neural. Os mais comuns são: ESPÍNHA BÍFIDA (exposição dos nervos da medula espinhal, a coluna não fecha) e ANENCEFALIA. Mas também ocorrem em menor incidência: ANOMALIAS DOS MEMBROS INFERIORES, INCONTINÊNCIAS URINÁRIA E INSTESTINAL, RETARDO MENTAL e DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM ESCOLAR.

Toda mulher que deseja engravidar deve usar o ácido fólico na dosagem recomendada de 400mcg/dia (microgramas). No caso das mulheres com história prévia de fetos com problemas no tubo neural, essa dose é diferenciada e administrada por um obstetra.

O ácido fólico é uma vitamina do complexo B que atua no processo de multiplicação das células e na formação de proteínas estruturais da hemoglobina (estrutura que forma os glóbulos vermelhos do sangue). Sua forma natural, o folato, pode ser encontrada em vegetais e folhas verde escuras como a couve, brócolis e espinafre, mas é mal absorvida pelo organismo. Por isso, a forma sintética, ÁCIDO FÓLICO, é a alternativa mais eficaz e prática para a mulher moderna. O uso de ácido fólico pelo menos 30 dias antes de engravidar, continuando até o terceiro mês, reduz em cerca de 75% a ocorrência dos defeitos do fechamento do tubo neural.

Um estudo feito pela FEBRASGO (Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) com usuárias do SUS e de planos de saúde, mostrou que 58% delas engravidam sem planejamento e só 13,8% receberam orientações e usaram o ácido fólico no período pré-gestacional. O estudo mostrou que tanto as mulheres do setror público quanto as do privado não tem o hábito de planejar uma gravidez e fazer as orientações recomendadas para o período pré-gestacional. Esse período que antecede a gravidez é tão importante que usamos o termo GRAVIDEZ DE 12 MESES, para alertar as mulheres de sua importância. Aproveito pra ressaltar, não só a importância do ácido fólico antes de engravidar, mas também das vacinas, do uso do vermífugo, do aconselhamento genético quando necessário, do tratamento de doenças, da coleta do Papanicolaou e demais exames e tratamentos necessários ao seu caso, devidamente investigados pelo seu ginecologista e obstetra de confiança.

O Conselho Federal de Medicina, preocupado com a incidência de defeitos no fechamento do tubo neural em fetos, pede ao governo medidas de orientação e estímulo à suplementação dessa vitamina. Essa importante informação precisa ser mais divulgada em consultórios, pelos profissionais de saúde que lidam com mulheres em fase reprodutiva, mas muitas vezes nos deparamos com mulheres que NUNCA procuram seus médicos para seus controles anuais. Por isso a internet, a televisão, a mídia impressa e o boca a boca (ou seja, você que está lendo esse texto), devem funcionar para que nenhum bebê venha a nascer com anomalias, muitas vezes incompatíveis com a vida, somente por falta de suplementação de uma vitamina.

Converse mais com seu ginecologista e obstetra. Ele é o profissional habilitado a cuidar da mulher em todas as etapas de sua vida.