Criopreservação do sangue do cordão umbilical

Há algum tempo a ciência tem descoberto a importância do uso das células-tronco para tratamento de diversas doenças hematológicas e do sistema imunológico. A ciência tem avançado cada vez mais em seus estudos, mas muitas vezes esses esbarram em questões legais e religiosas. Para melhor entendermos sobre esse assunto, dividi o texto em perguntas e respostas sobre as dúvidas mais frequentes. Vamos lá?


O que são células-tronco?
As células-tronco são células de características muito especiais. Elas surgem no ser humano na fase embrionária, previamente ao nascimento e tem a capacidade de se transformar em qualquer célula especializada do corpo. Elas são capazes de se renovar por meio da divisão celular mesmo após longos períodos de inatividade e induzidas a formar células de tecidos e órgãos com funções especiais. Após o nascimento, alguns órgãos ainda mantêm dentro de si, uma pequena porção de células-tronco, que são responsáveis pela RENOVAÇÃO constante desse órgão específico. Essas células têm duas características distintas: conseguem se reproduzir, duplicando-se, gerando duas células com iguais características; conseguem diferenciar-se, ou seja, transformar-se em diversas outras células de seus respectivos tecidos e órgãos. 
As células-tronco podem ser classificadas em totipotentes, quando conseguem se diferenciar em todos os tecidos do corpo humano, pluripotentes ou multipotentes, quando são capazes de se transformar em quase todos os tecidos, exceto placenta e anexos embrionários, oligopotentes que diferenciam-se em poucos tecidos e células-tronco unipotentes que se trasformam em um único tecido. 
Essas estruturas podem ser divididas, de acordo com a origem, basicamente em células-tronco derivadas de tecidos embrionários (somáticas) e células-tronco derivadas de tecidos não-embrionários (adultas). Células-tronco pluripotentes poderiam, teoricamente, derivar de qualquer célula humana. As células-tronco adultas existem em quantidades reduzidas no corpo e pela dificuldade que apresentam para se dividir em relação às embrionárias, a produção em laboratório desse tipo de célula-tronco é limitada. Mesmo assim, cientistas desenvolvem a cada dia novos métodos para incrementar a cultura e manipulação destas células para utilização em tratamentos de lesões ou doenças. 

Onde podemos encontrar as células-tronco?
A MEDULA ÓSSEA contém células-tronco hematopoéticas, que se tranformam constantemente em novas células de sangue, mas pesquisas recentes têm demonstrado a presença de células-tronco específicas presentes em outros tecidos como o fígado, o tecido adiposo, o sistema nervoso central, a pele etc. A utilização para fins terapêuticos dessas células também tem sido alvo de vários estudos. Há também células-tronco no sangue do CORDÃO UMBILICAL E PLACENTÁRIO que tem características adultas, porém são mais imaturas e ainda pouco estimuladas.


Qual é o uso atual das células-tronco?
Atualmente, as células-tronco são utilizadas para recuperar o sistema hematopoético (células sanguíneas) de pacientes submetidos à quimioterapia e/ou à radioterapia. Nessas situações, a infusão das células-tronco é vital, uma vez que a quimioterapia e/ou a radioterapia também destróem as células-tronco do paciente.


O sangue do cordão umbilical é utilizado para que tipo de tratamento?
O sangue do cordão é uma das fontes de células-tronco para o transplante de medula óssea e este é o ÚNICO uso deste material atualmente. O transplante é indicado para pacientes com leucemia aguda; leucemia mieloide crônica; leucemia mielomonocítica crônica; linfomas ; anemias graves; anemias congênitas; hemoglobinopatias; imunodeficiências congênitas; mieloma múltiplo; Síndrome mielodisplásica hipocelular; Imunodeficiência combinada severa; osteopetrose; mielofibrose primária em fase evolutiva; Síndrome mielodisplásica em transformação; talassemia major, além de outras doenças do sistema sanguíneo e imune (cerca de 70 indicações).


As células-tronco podem ser utilizadas em tratamentos de outras doenças?
Sim, mas todas ainda em estudo, alguns deles bem avançados. São essas as doenças beneficiadas:

- Câncer (reconstrução de tecidos e entendimento da divisão anormal de células)

- Doenças Cardíacas (renovação do tecido)

- Degeneração macular (reposição de células ou tecido da retina)

- Diabetes (injeção de células produtoras de insulina)

- Doenças autoimunes (reposição de células do sangue)

- Doença pulmonar (crescimento de novo tecido)

- Esclerose múltipla (reposição de células cerebrais)

- Lesões na medula (reposição de células neurais)

- Mal de Parkinson (reposição de células cerebrais)

- Mal de Alzheimer (reposição das células cerebrais)

- Osteoartrite (reconstrução do tecido)

- Osteoporose (reposição de células)


Depois dessas explicações iniciais podemos entender a importância da decisão dos pais em coletar e congelar o sangue do cordão umbilical . É importante salientar que o uso clínico do Sangue de Cordão Umbilical em famílias sem risco definido é muito baixo. Embora a ciência demonstre um aumento na utilização clínica da Célula-Tronco do Sangue de Cordão Umbilical, grande parte ainda está na fase experimental e não deve ser especulado como tratamento disponível atualmente. Além disso, não podemos garantir o uso da Célula-Tronco Autóloga (do próprio paciente) em todas as doenças genéticas.

E quando um casal decide coletar e preservar o sangue do cordão umbilical do seu filho surgem as seguintes dúvidas:


Como é feita a coleta?
A coleta é feita pelo médico ou enfermeiro treinado, logo após cortar o cordão e separá-lo do bebê. Todo o sangue que fica na placenta, que geralmente é desprezado no lixo, cerca de 70 a 100ml, é coletado em uma bolsa específica, que contém anticoagulante e enviado para um laboratório que o armazenará a 150 graus negativos por um período ainda indeterminado de tempo.


Quanto tempo congelado o sangue fica ideal para uso?
Ainda não se sabe qual é esse tempo, mas há laboratórios que tem bolsas congeladas há 25 anos e ainda próprias para uso.


Quais as vantagens de congelar o sangue do cordão umbilical?
A principal vantagem é que as células do cordão estão imediatamente disponíveis. Não há necessidade de localizar o doador compatível e submetê-lo à retirada da medula óssea.


Já houve algum transplante de células-tronco do cordão umbilical?
O primeiro transplante de célula-tronco do Sangue de Cordão Umbilical ocorreu em 1988, numa criança com Anemia de Fanconi. Desde então, mais de 14000 transplantes já foram realizados utilizando a mesma fonte.


Como vemos, ainda há muito a ser descoberto e o futuro para o tratamento de várias outras doenças ainda em estudo, é promissor. Mas atualmente, o uso de células-tronco está limitado às doenças do sangue, às autoimunes e recuperação pós quimio ou radioterapia. Quando um casal decide congelar o sangue do cordão umbilical, deve levar em consideração qual o risco dessas doenças aparecerem no seu filho e para isso só se pode levar em consideração a história familiar. Decisão nada fácil de ser tomada. Uma boa conversa com seu obstetra pode ajudar a decidir com mais facilidade.

Outro ponto a ser levado em consideração é o custo para esse prodecimento e armazenamento do sangue por vários anos. Seu obstetra estará apto para lhe fornecer essas informações importantes.

Para esse texto me baseei em informações do site de criogenêse e do site do INCA.